Gerenciamento de Problemas x Gerenciamento de Incidentes

No dia a dia do uso da tecnologia, todos nós já nos deparamos com alguma falha nos recursos computacionais que utilizamos: um e-mail que não é enviado, uma aplicação que trava, um site que simplesmente não carrega. Nesses momentos, o caminho natural é acionar a equipe de TI para obter ajuda.
Mas você sabe qual é a diferença entre um incidente e um problema dentro do contexto de TI? Essa distinção pode parecer sutil, mas ela é fundamental para a gestão eficiente dos serviços. Vamos entender.
O que é um Incidente?
Um incidente é qualquer evento que interrompe ou degrada a qualidade de um serviço de TI para um ou mais usuários. Programa que não abre? Incidente. Internet lenta? Incidente. Aplicação com comportamento inesperado? Incidente.
É importante destacar que nem toda demanda direcionada ao setor de TI é um incidente. Demandas de rotina, como criação de usuário, instalação de software ou redefinição de senha, são classificadas como cumprimento de requisição. O incidente, por definição, está sempre associado a um comportamento fora do padrão esperado.
O principal objetivo do Gerenciamento de Incidentes sempre deve considerar no objetivo de restaurar a operação normal o mais rápido possível, minimizando o impacto para o usuário. Isso significa que a prioridade não é necessariamente encontrar a causa do problema, mas sim devolver a funcionalidade ao usuário no menor tempo possível, seja por meio de uma solução definitiva ou de um contorno temporário, também conhecido como workaround.
O que é um Problema?
Aqui entra um conceito que muita gente confunde com o incidente: o PROBLEMA. Escrevi com letra maiúscula propositalmente não para indicar urgência, mas para sim para reforçar que se trata de algo conceitualmente diferente e que deve ser tratado de forma distinta.
Normalmente um problema surge quando algumas dessas situações acontecem:
- Um mesmo incidente se repete para um ou mais usuários com frequência;
- Múltiplos usuários são afetados simultaneamente pelo mesmo tipo de falha;
- A causa raiz de um ou mais incidentes ainda é desconhecida.
Em outras palavras podemos dizer que o incidente é o sintoma visível, enquanto o problema é a doença de fato.
A Analogia com a Saúde
Para tornar esse conceito mais tangível, vou usar uma analogia bem simples.
Imagine que você está com gripe. Seu corpo começa a manifestar sintomas: febre, tosse, dor de cabeça, congestão nasal. Esses sintomas são os incidentes, eventos pontuais que impactam seu bem-estar e que precisam ser tratados rapidamente para que você consiga retomar suas atividades.
Mas a febre em si não é a doença. Ela é apenas a forma como o seu corpo sinaliza que algo está errado. A doença, nesse caso, o vírus que causou a gripe, é o problema. Se você só tratar os sintomas sem combater a causa, eles vão continuar voltando.
Na TI, funciona da mesma forma. Se um servidor está sobrecarregado e derrubando a conexão de dezenas de usuários, cada reconexão frustrada é um incidente. Mas o servidor sobrecarregado é o problema e enquanto ele não for resolvido, os incidentes vão continuar se repetindo.
Gerenciamento de Incidentes vs. Gerenciamento de Problemas
Agora que entendemos a diferença conceitual, fica claro que os dois processos devem coexistir, mas com objetivos e fluxos diferentes e definidos:
| Gerenciamento de Incidentes | Gerenciamento de Problemas | |
| Foco | Restaurar o serviço rapidamente | Identificar e eliminar a causa raiz |
| Objetivo | Minimizar o impacto no usuário | Evitar recorrência dos incidentes |
| Abordagem | Reativa | Reativa e proativa |
| Responsável | Analistas de suporte N1/N2 | Técnicos especializados / N3 |
| Solução | Pode ser um contorno temporário | Sempre busca a solução definitiva |
Quando um incidente é registrado e sua causa é já conhecida e relacionada com um problema, o ideal é que dois fluxos corram em paralelo:
- Um técnico atende o incidente do usuário – aplica um workaround e devolve a operação normal;
- Outro técnico investiga o problema – analisa a causa raiz e implementa uma solução definitiva para evitar recorrências.
Essa separação evita que a pressão por resolver o sintoma imediato comprometa a analise e investigação da causa real. É uma prática fundamental em ambientes maduros de service desk e amplamente recomendada pelo framework ITIL.
Conclusão
Entender a diferença entre incidente e problema é o primeiro passo para construir uma operação de suporte mais eficiente e estruturada. Quando esses dois processos são gerenciados separadamente, com objetivos, responsáveis e fluxos claros, a equipe de TI consegue não apenas apagar incêndios, mas também trabalhar de forma proativa para que eles não voltem a acontecer.
Esse artigo foi escrito originalmente em 27 de janeiro de 2016.

Meu nome é Mateus Wolff e trabalho com TI desde 2009. Sou arquiteto de soluções de proteção de dados e tenho algumas certificações como VMCE, VCP-DCV e ITIL.
Participo do programa de reconhecimento Veeam Vanguard e sou ex membro do grupo Veeam Legends.
Também sou líder do grupo Veeam User Group Brasil.
Olá Mateus, tudo bem?
Trabalho com uma ferramenta onde os usuários tem a opção de abrir requisições e incidentes. Em incidentes estão embutidos os sintomas: Indisponibilidade, Lentidão, Problemas e Dúvidas. Esses sintomas vieram do Itil? Não deveríamos tratar dúvidas em requisições? Quando o usuário abre um incidente relatando um problema e após uma análise foi identificado que foi apenas falta de conhecimento do usuário e não de fato um problemas, como classificaríamos isso? Como sintoma de dúvida? Posso dizer que todo incidente é um evento que necessita de uma análise e ou tratamento? E requisição toda solicitação que não é originada de um problema, logo não necessita de uma análise.
Obrigada.