Como Escolher o Seu Repositório de Backup da Forma Correta

Trabalhando e atuando no mercado de proteção de dados há alguns anos, percebo que um dos maiores desafios na hora de desenhar e manter ambientes de backup preparados para cenários críticos é decidir onde e como armazenar os dados.
Aquela ideia de um repositório único e genérico ficou no passado. Porém, em muitos cenários, vejo que essa prática ainda continua sendo utilizada. Frente aos diversos desafios que temos para atender aos requisitos de RTO e RPO, adotar apenas uma ou até mesmo duas camadas de armazenamento pode não ser suficiente.
As arquiteturas modernas de backup combinam cada vez mais múltiplas tecnologias de armazenamento, nas quais cada uma é otimizada para objetivos diferentes. Isso é feito para que seja possível equilibrar aspectos como o tempo de recuperação (RTO), a retenção de longo prazo com a necessidade de fulls periódicos, a resiliência cibernética, a otimização de custos e por aí vai.
A Regra 3-2-1-1-0
Antes de falarmos sobre o destino físico ou lógico dos dados, é fundamental lembrar o framework que utilizo como base. Arquiteturas modernas de backup frequentemente seguem a regra 3-2-1-1-0:
- 3 cópias dos dados
- 2 mídias de armazenamento diferentes
- 1 cópia fora do local (offsite)
- 1 cópia imutável ou offline
- 0 erros na verificação dos backups
Para cumprir essa regra com eficiência e viabilidade financeira, eu gosto de dividir a infraestrutura em diferentes repositórios, com diferentes tipos de discos, tecnologias e propósitos. Vou listar aqui os tipos mais utilizados hoje em dia e a situação ideal para cada um:
Repositórios em disco de alto desempenho
Aqui é onde a maioria dos ambientes falha. Quando o foco é o seu RTO, essa é a linha de frente que será utilizada quando uma aplicação crítica do negócio cair. A operação precisa voltar em minutos, mesmo em grandes cenários onde terabytes precisam ser restaurados dentro de uma curta janela. Sendo assim, discos de alto desempenho, como RAIDs all-flash ou NVMe, permitem que você restaure um servidor diretamente do repositório de backup. Isso faz com que a aplicação já fique acessível e disponível para o usuário final em poucos minutos, garantindo uma boa velocidade na recuperação, sem gargalos de leitura e escrita ou altos índices de I/O.
Repositórios Linux Imutáveis e Hardenizados
A imutabilidade no Linux tem se tornado obrigatória em muitos projetos. Porém, além da imutabilidade, é necessário se preocupar com outros aspectos desse repositório. Quais serviços estão rodando no sistema operacional? Os pacotes instalados no Linux são todos necessários? O serviço de SSH está desabilitado? O método de autenticação entre o repositório e o software de backup está realmente seguro ou ainda utiliza o conceito de usuário e senha? Essas são perguntas que normalmente precisam ser respondidas caso você esteja preocupado com a segurança dos backups. Portanto, sim, a imutabilidade é importante, mas há alguns outros fatores que também precisam ser considerados caso você queira ter a garantia de que os dados serão realmente impedidos de serem apagados ou encriptados por um ransomware, mesmo que o atacante consiga se apoderar de credenciais administrativas do seu ambiente.
Object Storage Imutável
O armazenamento de objetos na nuvem foi um grande advento no mercado de proteção de dados. Foi através do object storage que se tornou possível ter uma camada resiliente e, principalmente, escalável. São diversas as opções de fabricantes e fornecedores que oferecem o object storage através de uma conexão HTTPS. Isso é muito bom, porque possibilita ter uma cópia externa do ambiente de uma forma segura e fácil de ser configurada. Porém, também é necessário garantir outros pontos, como imutabilidade, método de autenticação e criptografia. Apenas usufruir de um object storage, abrindo mão de itens de segurança, pode não ser a melhor escolha no momento de uma recuperação de desastres.
Appliances / Dispositivos de Desduplicação
Quando o volume de dados a ser armazenado é muito grande, um appliance de backup tende a ser uma boa opção. Um appliance dedicado consegue entregar taxas altas de desduplicação. Para aqueles backups full semanais, mensais e anuais de longa retenção, um appliance consegue trabalhar com bons índices de compressão e desduplicação. Porém, uma coisa que pouca gente fala é que uma alta taxa de compressão também traz um alto tempo de espera no momento da descompressão. Isso faz com que os backups armazenados nesse tipo de equipamento também onerem o tempo de restauração, se compararmos com o armazenamento em discos com sistemas de arquivos tradicionais.
Camadas de Archive
Camadas de arquivamento para as retenções de longo prazo, manter backups de 5, 7 ou até 10 anos ocupando espaço em discos locais apenas para fins de conformidade legal e compliance é uma estratégia financeiramente inviável. É para esse cenário que entram as camadas de archive. Toda cloud publica costuma ter uma camada fria de arquivamento. Isso nos permite armazenar esses dados frios, aquele tipo de backup que você guarda por exigência jurídica, mas que dificilmente precisará restaurar durante a operação do a dia, a um custo extremamente baixo. Utilizar esses tiers da cloud é uam boa opção para cumprir as regras do seu negócio, desafogando o seu storage principal sem estourar o orçamento da TI.
Adotando uma Abordagem Hibrida
Pensando em ambientes preparados para cenários críticos, eu sempre reforço que você não precisa, e nem deve, se limitar a apenas uma dessas opções de armazenamento. A verdadeira resiliência da sua infraestrutura nasce exatamente da combinação inteligente de dois ou mais tipos de repositórios. Você pode, por exemplo, manter um disco de alto desempenho na linha de frente para garantir um restore rápido, enquanto envia uma cópia secundária dos dados para appliance ou para um object storage imutável na cloud. É esse tipo de abordagem que consegue garantir um alto índice de proteção contra um ataque de ransomware. Adotar essa abordagem híbrida permite desenhar uma estratégia de backup sob medida, que entrega performance imediata para a operação e segurança máxima a longo prazo, cobrindo todos os cenários de desastres possíveis no seu ambiente.

Meu nome é Mateus Wolff e trabalho com TI desde 2009. Sou arquiteto de soluções de proteção de dados e tenho algumas certificações como VMCE, VCP-DCV e ITIL.
Participo do programa de reconhecimento Veeam Vanguard e sou ex membro do grupo Veeam Legends.
Também sou líder do grupo Veeam User Group Brasil.
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